Congregação das Irmãs Franciscanas

de Nossa Senhora das Vitórias

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XXXVIII Semana de Estudos sobre a Vida Consagrada

Várias Irmãs da Congregação tiveram a oportunidade de participar desta semana de estudos, em Fátima, de 18 a 21 de fevereiro de 2023, com o tema: Que esperança na Vida Consagrada?

Vários conferencistas abordaram esta temática e trouxeram luz aos corações de cerca de 700 religiosos e religiosas ali presentes.

A esperança deriva da ação divina em nós. O amor é o modo como se vive a esperança. Precisamos das esperanças maiores e menores. A grande esperança só pode ser Deus, como nos falou o Papa Bento XVI “é verdade que quem não conhece Deus, mesmo podendo ter muitas esperanças, no fundo está sem esperança, sem a grande esperança que sustenta toda a vida (cf. Ef 2,12). A verdadeira e grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões, só pode ser Deus – o Deus que nos amou, e ama ainda agora «até ao fim», «até à plena consumação» (cf. Jo 13,1 e 19,30). Quem é atingido pelo amor começa a intuir em que consistiria propriamente a «vida». Começa a intuir o significado da palavra de esperança que encontramos no rito do Batismo: da fé espero a vida eterna. CARTA ENCÍCLICA SPE SALVI

Refletimos com o sr. Padre José Frazão Correia sobre os lugares de aprendizagem e de exercício da Esperança, o qual nos convidou a termos diante dos nossos olhos a imagem da CRUZ em suas hastes horizontal e vertical: origem e destino (horizontal), alto e baixo (vertical). A nossa origem significa de onde viemos: somos depositários de uma herança da nossa família de sangue e da nossa família religiosa: constituição física, psíquica, o nosso carisma. Antes de conjugar os verbos na voz ativa, conjugamos os verbos na voz passiva: fomos gerados, amados, alimentados, ensinados. Tudo é graça, tudo nos foi dado! Com o nascimento vem um cheque a levantar, mas vem também dívidas. A nossa história é uma herança e uma dívida, pois precisamos agora construir, conquistar, viver. A liberdade faz o seu caminho como dom e como imposição. A nossa relação com o património recebido pode ser grata ou ressentida. Se a nossa memória for ressentida (e nos pomos  a lamentar porque me fizeram isso ou aquilo), dificilmente nos abrimos ao futuro. É necessário reconciliar com o passado para viver melhor o futuro. O destino é o nosso futuro. A graça divina abre novas possibilidades em toda a nossa existência. Assim, somos convidados a não lamentar pelo passado, mas criar algo novo com fidelidade que é implicar-nos no que podemos fazer. Outro lugar de exercitar a esperança é o ponto mais alto da cruz. Na espécie humana, pela nossa evolução, a dado momento nos levantamos e ficamos direitos sobre nossos pés. E aí começa a desenvolver o cérebro. Somos capazes de projetar, aprender, rezar, olhar o horizonte. Somos seres responsáveis para dar uma palavra às provocações e aos desafios de hoje. Chamados a sermos homens e mulheres de palavra. A graça de Deus sempre nos eleva e todo ato de amor às pessoas nos eleva.  O lado mais baixo da Cruz é outro lugar para aprender a esperança. Trata-se do lado sombrio de cada um/a de nós, das nossas Instituições, da Igreja. Vivemos um tempo de depressões. O modo justo de tratar o limite é confessar. Confessar o limite, a desordem, o nosso jeito de ser Igreja. Precisamos avançar a partir do lugar onde estamos. Eu sou assim…descrever, sem moralizar, mas não ficar aqui, procurar fazer caminho através da graça de Deus, que em mim atua. Pelo sacramento da penitência inicia-se um processo de cura e reparação a partir do perdão. A confissão não é como máquina de lavar. Não se trata de lavar a sujeira todas as vezes que falhamos, mas dispormo-nos a um caminho de conversão, de penitência. Os santos transformaram suas grutas escuras em possibilidade de graça e de elevação. As vezes somos muito moralistas e isso abafa a realidade. Precisamos dar palavra aos maus tratos, ao egoísmo, à sexualidade, para transformar os limites em elevação. No livro do Genesis encontramos uma profunda reflexão: três perguntas que Deus fez e faz a nós hoje: Onde estás? (o que dizes de ti mesmo, onde estás em relação aos mais necessitados?) Onde está o teu irmão? (como olhas teus irmãos à tua volta?) como Caim não respondeu, Deus aprofundou a pergunta: Que fizeste?

Outra reflexão foi sobre os pecados contra a esperança na Vida Consagrada, pela Irmã Maria da Conceição Barbosa, que inspirada no papa Francisco nos falou que é preciso termos consciência que todos padecemos com o mal do pecado, reconhecer o barro que somos, reconhecer nosso húmus, para deixar a graça agir no meio disso. Somos seres de relações, desde a nossa origem. É necessário cuidar das relações. Sou o que é a minha relação com Deus. O pecado rompe relações com Deus e com o próximo. Precisamos ter atenção à nossa própria história pessoal e cuidar dos aspetos nos quais somos mais frágeis. Alguns pecados contra a esperança: pessimismo estéril, cansaço da esperança, messianismo, ativismo, intolerância, instalação, acédia, perda do sentido de humor.

Fomos convidados a sermos semeadores de esperança dentro e fora das nossas comunidades: junto das crianças, juntos dos jovens e junto dos idosos, através do nosso serviço feito com amor e graça. Diante dos desafios e dos sofrimentos do tempo presente, o amor consegue sempre encontrar caminhos.

A esperança é acreditar que a nossa vida não acaba com a morte. O fim é um novo começo. Assim, não tememos a morte. É necessário compreender que a esperança não é só alegria, mas inclui também uma dose de sofrimento. No Evangelho todos os que Jesus proclama bem-aventurados passam pelo sofrimento Cf. Mt 5,3-12. Por isso rezamos: Salve ó Cruz, nossa única esperança!

Ao terminar a semana de estudos, o Pe. José Cristo Rey Garcia Paredes, nos falou que o conselho evangélico da esperança torna-se “voto”, pois faz-se necessário transformar a esperança em compromisso com a vida, compromisso com a missão. É preciso sermos mulheres da aurora, mulheres da ressurreição que vão ao túmulo procurar o Senhor e nos anunciam que o impossível aos homens é possível a Deus!

A esperança não é a última que morre, mas a primeira que nasce quando tudo parece perdido. Fomos convidados a deixar a mundanidade, como tanto nos pede o Papa Francisco, e procurar a verdadeira profundidade espiritual. Trilhar o difícil caminho da conversão. Começamos hoje o tempo santo da Quaresma que significa toda a nossa existência. Somos chamados a vivenciá-la intensamente, a atravessar a sexta feira santa e o sábado santo para chegarmos à Ressurreição e em Pentecostes, guiados pelo Espírito Santo, o qual nos faz descobrir as pérolas em nosso interior e nos abrir ao novo que está por vir. “Se eu soubesse que o mundo acabaria amanhã, ainda hoje plantaria uma árvore” (Martinho Lutero). A esperança pede a nós resistir e lutar, de olhos fitos em Jesus que não só suportou o sofrimento, mas resistiu e confiou no Abbá, até ao fim.