Congregação das Irmãs Franciscanas

de Nossa Senhora das Vitórias

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Dia Mundial dos Pobres

VI DIA MUNDIAL DOS POBRES

XXXIII Domingo do Tempo Comum
13 de Novembro de 2022

O Papa Francisco nos convida a celebrarmos este dia mundial dos pobres com esta chamada bíblica: Jesus Cristo fez-Se pobre por vós (cf. 2 Cor 8, 9)

Como Igreja militante, somos convocados a fazermos uma séria reflexão sobre o nosso modo de viver, para que sejamos testemunhas do Evangelho de Jesus Cristo nesta sociedade que, por vezes, deixa muitos para trás. Em Mt 10, 34-39, Jesus, a quando da pergunta feita pelo fariseu sobre qual é o maior mandamento da lei, respondeu: Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é-lhe semelhante: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. De fato, amar o próximo como a si mesmo significa reconhecer nos outros a mesma dignidade que há na nossa própria vida; significa oferecer ao outro o mesmo cuidado e consideração que dedicamos a nós mesmos, portanto, é preciso fazermos a experiência de sermos amados e valorizados pelo Deus da vida, é preciso aceitarmo-nos como somos, com todos os nossos dons e limites. Então seremos mais capazes do amor gratuito e desinteressado, pois o verdadeiro amor ao próximo é um amor abnegado; que implica a busca do bem-estar do próximo sem qualquer interesse próprio (cf Lv 19,18).

Jesus não ensinou apenas sobre a necessidade de o homem amar o próximo como a si mesmo, mas também demonstrou na Sua prática esse compromisso e foi mais além: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei! (Jo1,12) E sabemos que Ele nos amou até ao extremo, até Se tornar nosso alimento, até dar a própria vida por nós no altar da Cruz! No seguimento do Mestre, muitos homens e mulheres que nos precederam, são modelos de amor generoso ao próximo, principalmente aos mais pobres, dentre eles, a Venerável Mary Jane Wilson, nossa Fundadora, que sendo de família nobre, despojou-se de tudo e chegando à Ilha da Madeira, Portugal, em 1881, e deparando-se com um cenário de pobreza a vários níveis, pôs mãos a obra para “tocar a carne de Cristo nos irmãos”, e vendo que sozinha não podia, fundou a nossa Congregação para fazer um bem maior. No seu tempo não houve necessidade que ela não remediasse: Crianças, idosos, doentes, pessoas sem instrução a tal ponto que o povo a chamou de Boa Mãe.

Hoje somos nós chamadas a seguir Jesus e a viver pobres com os pobres, na busca da defesa da vida, da fé, do amor e da esperança para os que mais sofrem e necessitam de serem amados como a nós mesmos.

Na sua reflexão, o Papa nos fala sobre o texto do Apóstolo Paulo a que se refere neste VI Dia Mundial dos Pobres, no qual apresenta o grande paradoxo da vida de fé: a pobreza de Cristo torna-nos ricos. Se Paulo pôde comunicar este ensinamento – e a Igreja difundi-lo e testemunhá-lo ao longo dos séculos – é porque Deus, em seu Filho Jesus, escolheu e seguiu esta estrada. Se Ele Se fez pobre por nós, então a nossa própria vida ilumina-se e transforma-se, adquirindo um valor que o mundo não conhece nem pode dar. A riqueza de Jesus é o seu amor, que não se fecha a ninguém mas vai ao encontro de todos, sobretudo de quantos estão marginalizados e desprovidos do necessário. Por amor, despojou-Se a Si mesmo e assumiu a condição humana. Por amor, fez-Se servo obediente, até à morte e morte de cruz (cf. Fl 2, 6-8). Por amor, fez-Se «pão de vida» (Jo 6, 35), para que a ninguém falte o necessário, e possa encontrar o alimento que nutre para a vida eterna.

Também em nossos dias parece difícil, como foi então para os discípulos do Senhor, aceitar este ensinamento (cf. Jo 6, 60); mas a palavra de Jesus é clara; se quisermos que a vida vença a morte e que a dignidade seja resgatada da injustiça, o caminho a seguir é o d’Ele: é seguir a pobreza de Jesus Cristo, partilhando a vida por amor, repartindo o pão da própria existência com os irmãos e irmãs, a começar pelos últimos, por aqueles que carecem do necessário, para que se crie a igualdade, os pobres sejam libertos da miséria e os ricos da vaidade, ambos sem esperança.

Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, n.200, o Papa afirma com mágoa, que a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual. A imensa maioria dos pobres possui uma especial abertura à fé; tem necessidade de Deus e não podemos deixar de lhes oferecer a sua amizade, a sua bênção, a sua Palavra, a celebração dos Sacramentos e a proposta dum caminho de crescimento e amadurecimento na fé. A opção preferencial pelos pobres deve traduzir-se, principalmente, numa solicitude religiosa privilegiada e prioritária. Pois, a vontade do Senhor é que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (Tm 2,49).

Ninguém pode sentir-se exonerado da preocupação pelos pobres e pela justiça social, diz o Santo Padre, (cf Evangelli Gaudium, 201), os pobres não necessitam de retóricas, mas sim, de que arregacemos as mangas e ponhamos em prática a fé através dum envolvimento direto, que não pode ser delegado a ninguém, partilhando o pouco que temos com quantos nada têm, para que ninguém sofra.

O Papa nos exorta a estender a mão, a crescermos na consciência de que somos um só corpo. “Às vezes sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor. Mas Jesus quer que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros. Espera que renunciemos a procurar aqueles abrigos pessoais ou comunitários que permitem manter-nos à distância do nó do drama humano, a fim de aceitarmos verdadeiramente entrar em contacto com a vida concreta dos outros e conhecermos a força da ternura. Cada pessoa é digna da nossa dedicação, e não pelo seu aspeto físico, suas capacidades, sua linguagem, sua mentalidade ou pelas satisfações que nos pode dar, mas porque é obra de Deus, criatura sua. Ele criou-a à sua imagem, e reflete algo da sua glória. Cada ser humano é objeto da ternura infinita do Senhor, e Ele mesmo habita na sua vida. Na cruz, Jesus Cristo deu o seu sangue precioso por essa pessoa. Independentemente da aparência, cada um é imensamente sagrado e merece o nosso afeto e a nossa dedicação. Por isso, se consigo ajudar uma só pessoa a viver melhor, isso já justifica o dom da minha vida”. (Evangelli Gaudium, 270 e 274)

Que o Senhor nos ajude a viver este VI Dia Mundial dos Pobres, participando da riqueza da vida e dos ensinamentos do Mestre e começando o céu nesta terra, através da doação da nossa própria vida por Cristo, pelo Reino e pelos pobres.

Apelação, 09 de Novembro de 2022

Irmã Cacilda Rosa Joaquim Torcida Gamboa – Superiora Geral

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