Congregação das Irmãs Franciscanas

de Nossa Senhora das Vitórias

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Conferência “Nas sendas do Espírito, em caminho de conversão, com a Irmã Wilson” (Padre Dário Pedroso)

 

 

CELEBRAÇÃO DOS 150 ANOS DA CONVERSÃO
DA VENERÁVEL IRMÃ WILSON À IGREJA CATÓLICA

15 de janeiro de 2023 a 15 de janeiro de 2024

Título da Conferência: Nas sendas do Espírito, em caminho de conversão, com a Irmã Wilson 

Desejo começar com uma saudação muito cordial e fraterna à Irmã Cacilda e ao seu Conselho, com um profundo agradecimento pelo convite que me fizeram para fazer esta comunicação no início  dos 150 anos da conversão da Irmã Wilson. Ainda há pouco a Superior Geral, na Madeira, pronunciou um belo discurso na abertura do ano jubilar. Tudo o que nos disse, cheio de sabedoria e entusiasmo, deve ser lido e ouvido ao longo do ano para nos irmos animando a viver a nossa conversão pessoal e comunitária, a conversão dos amigos e Associados. Foram palavras de grande fervor e sabedoria que agradecemos e que nos entusiasmam a todos e todas.

Agradeço a saudação que agora, aqui nesta sala na Casa Geral, me dirigiu. Senti, como sempre, já lá vão mais de quarenta anos, o acolhimento fraterno e amigo, a delicadeza e a fraternidade tão próprias do carisma franciscano, vivido com o cunho das Vitorianas. Muito obrigado.

Mas a minha saudação vai mais longe, pois quero estar em comunhão com toda a Congregação, com cada Irmã e cada comunidade, cada Associado e cada família. Saúdo os que estão nesta sala e todas as Irmãos e Associados do Portugal Continental, da Madeira e dos Açores. Saúdo as que vivem e trabalho no longínquo continente asiático, em Timor, nas Filipinas, na Índia. Quero ter muito presente as Irmão de Moçambique, da Tanzânia, do Congo e de Angola. Não posso esquecer as Irmãs do Brasil. Saúdo também as que vivem e trabalham em Londres e Roma. Para todas, e para todos os Associados e suas famílias, a minha saudação.

Nesta introdução não quero deixar de recordar a feliz coincidência da abertura deste ano jubilar, celebrando os 150 manos da conversão da Boa Mãe, ser feita, e para o ano terminar, em pelo Oitavário da unidade da Igreja. Parece algo de profético que nos deve entusiasmar e alegrar, pois celebramos a conversão de uma cristã anglicana ao catolicismo, ele que buscava com intensidade a verdade da fé.

O tema desta minha comunicação, pedido pela Congregação é: “Nas sendas do Espírito, em caminho de conversão, com a Irmã Wilson”. É o Espírito Santo que conduziu a Venerável Irmã Wilson, que nos conduz hoje a nós, e conduz a Mãe Igreja desde o Pentecostes de há dois mil anos. Só os seus caminhos, as suas inspirações, os seus apelos, podem-nos fazer caminhar numa conversão pessoal e comunitária mais séria e mais profunda, que gere uma vida nova e que nos faça frutificar, como a Boa Mãe, em obras de caridade, de verdade, de justiça, de amor fraterno. O Espírito nos ajudar a converter, nos ajudará a rasgar caminhos novos de vida vitoriana, de consagração, de vida comunitária, de vivência dos votos, ou dos compromissos dos Associados.

Ao celebrarmos os 150 anos da conversão Irmã Wilson, para com ela e como ela, caminharmos nas “sendas do Espírito”, suplicando a Deus Pai, Amor infinito, que através do seu Espírito vá realizando em nós a sua obra divina, ou seja, a nossa própria conversão, que nunca está acabada, temos que olhar, contemplar, Jesus Cristo, o nosso Senhor e Redentor, nosso Amigo e nosso Esposo, que  nos seduziu a segui-Lo, a imitá-Lo, a tentar cada vez mais ser  e viver o seu modo evangélico, que impregnou a vida, a alma, o coração a missão da Irmã Wilson. Ela O contemplava sem cessar, apaixonando-se por Jesus de Nazaré, ao jeito do Pai São Francisco, o Santo do presépio e do calvário, o Jesus pobre, servo e humilde, num desejo ardente e audacioso de O imitar. Eis o cerne, o centro fulcral da conversão que o Espírito quer fazer em nós. Precisamos todos e todas de nos determinar com audácia e humildade. Não são necessárias muitas palavras, muitos documentos, pois a conversão é um mistério do amor de Deus uno e trino, é obra sua, que quer a nossa colaboração, caminhando nas “sendas do Espírito”. É este o primeiro passo, a primeira decisão, de cada Irmã e de cada Associado, para suplicar e fazer esforço da sua própria conversão quotidiana, para viver hoje, a conversão da Irmã Wilson.

É no silêncio do coração, ouvindo os segredos do Senhor e os seus convites, estando atestos e atentas, em contínuo e sério discernimento, que ouviremos a voz daquele que nos quer santos, como Ele é santo. É nesse enamoramento contínuo que nos decidiremos a colaborar com o Espírito, como fez a Irmã Wilson, para que Jesus seja, cada vez mais, não só o primeiro, mas o Único das nossas vidas. Tesouro precioso que nos cativa sem cessar, Amor que nos preenche na medida da nossa busca e da nossa humildade, na audácia dos nossos desejos, tornados súplica humilde, para que o Espírito nos converta, nos purifique, seja fogo divino a incendiar nossos corações, com fez no coração, no interior, na vida da Irmã Wilson. Convertida ao amor e pelo amor, ela foi uma mulher de fogo ardente, de amor contínuo, de dom e oblação permanente. Soube, movida pelo Espírito, morrer a si mesma, para ser tudo para todos, dando-se sem medida, como nosso Divino Mestre, que às vezes nem tinha tempo e meios para comer, pois o fogo divino que Lhe ardia no Coração, O faz esquecer-se de Si mesmo, para ser, já em vida, alimento para todos pela palavra, pelas curas, pelos sermões, pelos conselhos, pelas lágrimas que chorou, pelo modo de evangelizar, pelas caminhadas de aldeia em aldeia, de cidade em cidade,  com o testemunho eloquente de sua vida de Verbo encarnado, que veio trazer o fogo à terra e só queria que ele se incendiasse, e por isso o Evangelho foi a Boa Nova que ensina os caminhas da salvação, das bem-aventuranças, o amor fraterno, o dom da vida, a arte de ser pobre e humilde. E foi assim o Pai São Francisco, e foi assim a Irmã Wilson.

 

Com a Senhora das Vitórias 

Todos e todas conhecemos bem, que foi com a imagem de Nossa Senhora das Vitórias, nas suas mãos humildes e suplicantes, pedindo à Mãe a graça da fé plena, amadurecida, que o Espírito realizou na Irmã Wilson a conversão à fé católica, logo a seguir pedindo o batismo, integrando-se na Igreja, sendo sobretudo mulher e cristã de Eucaristia vivida, amada, adorada, onde a Irmã encontrava força, graça, apoio, ajuda, alegria, esperança, encontrava a própria divinização. Tudo para Ela, a nossa Boa Mãe, vinha da Eucaristia. Foi este grande salto, da fé anglicana, que ela deu para aderir ao catolicismo. Mas nela não foi só aquele momento, foi algo que perdurou na vida inteira. Amava estar com Jesus Eucaristia, ter tempo para se unir a Ele, para adorar, para louvar, para reparar, para suplicar graças, para interceder pela Congregação, pela Igreja, pela diocese, pelo bispo, pela humanidade inteira. Vivia a fé profunda que ali, como íman a atraí-la, estava Jesus, seu Senhor e o seu Deus, seu Amigo e seu Esposo, o omnipotente que tudo pode, o Senhor dos milagres, das graças necessárias para ela continuar a sofrer, a amar, a servir, a ser pobre e humilde. A Senhora das Vitória, nome que se sentiu inspirada a dar à sua querida Congregação, continua a ser a Mãe e Senhora, que nos ajuda a alcançar o Espírito, rezando connosco, no Cenáculo da vida, para obter o Espírito, caminhar nas suas sendas, sermos purificados, evangelizados por dentro, sermos convertidos.

Jesus, Salvador e Redentor, veio através de Maria, e o sim da Virgem de Nazaré, foi o primeiro momento da nossa redenção, que calcou a cabeça da serpente e nos deu o Salvador. Por isso a Virgem, a Senhora das Vitórias, a Mãe, continua a ser o caminho para ir a Jesus e com Ele à Trindade, à intimidade da vida divina, à arte misteriosa da união mística. Ela continua a ser vencedora de muitas vitórias pelo poder de seu Filho, Rei e Senhor. Este foi o caminho de São Francisco e o caminho da Irmã Wilson.

 

A dimensão ecuménica no caminho espiritual da Irmã Wilson 

Uma anglicana convertida por Deus ao catolicismo, que guardou sempre a grata recordação da fé e do exemplo de seu pai, de sua tia, da sua vida anterior, de seus amigos e companheiros, da sua vida de anglicana, mas que permaneceu em abertura interior ao diálogo, à busca da verdade, a buscar laços de unidade com todos, é um exemplo a seguir. A Irmã Wilson, foi alguém que viveu com o coração, na sua oração profunda, o desejo de um ecumenismo mais intenso, no respeito pela diferença, mas também no diálogo que gerasse unidade e plena comunhão. Daí talvez a sua preocupação com a unidade das Irmãs e das Comunidades, as suas palavras e seus apelos à vida fraterna, à comunhão amiga.

Nos tempos que nos são dados viver, com os ensinamentos do Papa Francisco, e com a contínua súplica de Jesus: “Pai que todos sejam um”, são um desfio para as Irmãs, para os Associados, e para todos nós a viver um ecumenismo sério e eficaz, um diálogo amigo e luminoso, sempre respeitador das diferenças e admirando a parte de verdade que há nos outros, numa busca de comunhão que nos solidifique na unidade total. Tanta variedade de credos, de raças, de cores de pele, de fé diferente, mesmo nas ruas das nossas cidades e aldeias, com a vinda de refugiados, de imigrantes, de fugitivos de guerra e de governos déspotas, impõe-se um diálogo amistoso, que ajude a caminhar nas sendas do Espírito. Cabe-nos a nós, com a luz do Espírito Santo e a ajuda da Irmã Wilson, fazer esse caminho, na busca da verdade na caridade. Será preciso audácia e fortaleza, discernimento e desejo de unidade, para rasgar novos caminhos, quer nas obras que temos, quer naquelas que o Espírito quiser que fundemos, como o exemplo notável, de Taizé.

Não será que podemos afirmar que as Irmãs Vitorianas devem discernir o seu caminho de ecumenismo, que passa, antes de mais, pelo coração e pela oração? A própria e rica experiência na Congregação em diversos países e culturas, é algo que já prepara para alargar horizontes para um ecumenismo mais amplo e mais comprometido. Nas sendas do Espírito há grande e belo caminho para andar. O Espírito vai soprar, como soprou na alma e no coração da Irmã Wilson. O testamento espiritual do ecumenismo há-de ser vivido, com encanto e dedicação, marcando com laços de unidade a celebração dos 150 anos da conversão da Boa Mãe. E neste dia, integrado no Oitavário da oração pela unidade da Igreja, podemos bem suplicar à anglicana convertida em católica, pela intercessão de Nossa Senhora das Vitórias, que nos faça orar e viver, caminhando para a unidade, começando pela nossa unidade interior, depois pela unidade das comunidades e das famílias dos Associadas, e pela grande graça da unidade da Igreja. Esta data se torna profética. É uma luz para iluminar caminhos de diálogo ecuménico, de comunhão e trabalho sinodal. Bendito seja Deus, que nos reúne com a Irmã Wilson, e nos coloca no coração o amor à Igreja e o serviço da unidade.

 

O diálogo ecuménico em espírito sinodal

Sínodo implica comunhão, partilha, entre ajuda, abertura aos outros, diálogo de comunhão. Ora o diálogo ecuménico à luz do exemplo da Irmã Wilson, é porta aberta, coração rasgado, para ser Igreja em sinodalidade. É este o grande desafio do Papa Francisco para a Igreja de hoje, para as dioceses, para as paróquias, para as Congregações, para as comunidades. Será o desfio da celebração dos 150 anos da conversão da Boa Mãe, para as Irmãs Vitorianas, para os Associados, em qualquer parte do mundo onde vivem e realizam a sua missão. Ser comunhão, construir pontes dentro e fora da comunidade, das comunidades como um todo, da Congregação. Estabelecer diálogo sinodal, partilha de ideias e de vidas, de amor e de coração, de ajuda dentro e fora da Congregação e das comunidades. Ser semente de sinodalidade nas paróquias, nas dioceses, nas obras onde trabalham e vivem. Ser exemplo vivo de comunhão entre si, como irmãs, e com todos. E os Associados, mergulhados no mundo, no seio das suas famílias, nos seus empregos, nos seus locais de estudo e de vida sacramental, encontram muitas ocasiões de imitar a Irmã Wilson, no caminho da igreja, que se quer cada vez mais, uma igreja sinodal.

A arte da sinodalidade implicará, antes de mais, apontar metas a desenvolver o positivo que exista. Mas implica também, em segundo lugar, com a verdade na caridade, tentar remediar situações menos boas, apontar falhas, estar exposto à correção fraterna. E em terceiro lugar a sinodalidade, que é processo de comunhão, exige essa conversão interior, a morte a si próprio para aceitar os outros, suas ideias, seus projetos.

Como a Irmã Wilson viveria com entusiasmo, a sinodalidade, ela que foi sempre mulher de igreja, que desejava a partilha e a comunhão, que exigia com o seu exemplo, a fraternidade fecunda e atuante. Como ela se sentiria entusiasmada a repensar sua conversão, e diante de Jesus Eucaristia, projetar sua colaboração sinodal, a partir da sua experiência ecuménica. Como ela lançaria apelos, para que na sinodalidade, não se esquecem-se dos seus protegidos: os pobres, dos doentes, os que vivem sem pão, sem casa, sem fé, sem amor. Como ela se entusiasmaria por viver na comunhão, acolhendo as orientações da Igreja para se poder viver uma sinodalidade viva e eficaz. Que apelos faria ela, a Boa Mãe, hoje, a cada irmã Vitoriana, a cada Associado e suas famílias, e a toda a sua querida Congregação, para que se abrissem à conversão, para, como ela foi e viveu, fossem sempre mais pobres, humildes e servas, empenhadas em ajudar a igreja e, sobretudo os mais pobres e mais necessitados. De que modo a Irmã Wilson rezaria e amaria hoje o P. Francisco, tão franciscano no seu nome de viver e de ser, desejoso de uma Igreja mais pobre e mais serva. Deixo-vos a escutar a Boa Mãe, a contemplar o seu apelo, a meditar o seu exemplo de vida ecuménica e sinodal, a contemplar como ela viveria hoje, os caminhos da Igreja na senda do Espírito, a ouvir suas recomendações, a seguir com determinação a conversão pessoal e comunitária, da família, das obras, da paróquia, para que o espírito e os desejos da Irmã Wilson, a Boa Mãe, continuem vivos e operantes na vida de cada Irmã e de cada Associado.

Que nas sendas do Espírito, vivendo este ano num esforço de conversão, de ecumenismo e de sinodalidade, possam chegar, Irmãs e Associados, a 15 de janeiro de 2024, com paz e serenidade, na certeza do dever cumprido, consoante os apelos de Deus e da Boa Mãe, para serem mais evangélicas, mais franciscanas, mais vitorianas, para serem Assocados segundo o Evangelho e o carisma da Irmã Wilson. Que Deus a todas e todos abençoe. Que a Venerável Irmã Wilson a todos e dodas proteja e alcance a graça da conversão.

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